Poema Alentejano

•Janeiro 22, 2008 • Deixe um Comentário

Atirê um limao rolando…
À tua porta parou…
Depois fiquei pensado…
Será que o cabrão se cansou???

À entrada da tua porta plantê
Um raminho de hortelã!
Gosto de ti, porra
E tu, hãããã???

Subi a um êcaliptre
com o tê retrato na mão
Desencaliptrê-me lá de cima
Malhê com os cornos no chão!!!

Perdi a minha caneta
Lá prós lados da várzea
Se lá fores e a vires….
“Trázea!.”

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Precisamos de Merda!

•Janeiro 9, 2008 • 1 Comentário

Ontem ao ver o Vítor de Sousa a declamar este poema “de merda” lembrei-me dele. Talvez numa qualquer sessão de poesia Abril, ou de alguma leitura num qualquer conheci este texto. Numa altura em que a Agricultura nesta transtagana esquecida tinha graves problemas calhou a um lavrador chamado Tancredo levar ao Senhor Soisa, ministro da Agricultura na altura, as reivindicações dos agricultores. Isto durante o Estado Novo.

Porque julgamos digna de registo
a nossa exposição, senhor Ministro,
erguemos até vós, humildemente,
uma toada uníssona e plangente
em que evitámos o menor deslize
e em que damos razão da nossa crise.

Senhor: Em vão, esta província inteira,
desmoita, lavra, atalha a sementeira,
suando até à fralda da camisa.

Falta a matéria orgânica precisa
na terra, que é delgada e sempre fraca!
– A matéria, em questão, chama-se caca.

Precisamos de merda, senhor Soisa!…
E nunca precisámos de outra coisa.

Se os membros desse ilustre ministério
querem tomar o nosso caso a sério,
se é nobre o sentimento que os anima,
mandem cagar-nos toda a gente em cima
dos maninhos torrões de cada herdade.

E mijem-nos, também, por caridade!

O senhor Oliveira Salazar
quando tiver vontade de cagar
venha até nós!
Solícito, calado,
busque um terreno que estiver lavrado,
deite as calças abaixo com sossego,
ajeite o cú bem apontado ao rego,
e… como Presidente do Conselho,
queira espremer-se até ficar vermelho!

A Nação confiou-lhe os seus destinos?…
Então, comprima, aperte os intestinos;
se lhe escapar um traque, não se importe,
… quem sabe se o cheirá-lo nos dá sorte?

Quantos porão as suas esperanças
n’um traque do Ministro das Finanças?…
E quem vier aflito, sem recursos,
Já não distingue os traques dos discursos.
Não precisa falar! Tenha a certeza
que a nossa maior fonte de riqueza,
desde as grandes herdades às courelas,
provém da merda que juntarmos n’elas.

Precisamos de merda, senhor Soisa!…
E nunca precisámos de outra coisa.

Adubos de potassa?… Cal?… Azote?…
Tragam-nos merda pura, do bispote!

E todos os penicos portugueses
durante, pelo menos uns seis meses,
sobre o montado, sobre a terra campa,
continuamente nos despejem trampa!

Terras alentejanas, terras nuas;
desespero de arados e charruas,
quem as compra ou arrenda ou quem as herda
sente a paixão nostálgica da merda…

Precisamos de merda, senhor Soisa!…
E nunca precisámos de outra coisa.

Ah!… Merda grossa e fina! Merda boa
das inúteis retretes de Lisboa!…
Como é triste saber que todos vós
Andais cagando sem pensar em nós!

Se querem fomentar a agricultura
mandem vir muita gente com soltura.
Nós daremos o trigo em larga escala,
pois até nos faz conta a merda rala.

Venham todas as merdas à vontade,
não faremos questão da qualidade.
Formas normais ou formas esquisitas!
E, desde o cagalhão às caganitas,
desde a pequena poia à grande bosta,
de tudo o que vier, a gente gosta.

Precisamos de merda, senhor Soisa!…
E nunca precisámos de outra coisa.

Palma, no inicio…

•Dezembro 29, 2007 • 2 comentários

Esta musica está no primeiro album do grande Jorge Palma, mostra o lado interventivo e “ácido” que nunca perdeu. Muita gente nunca deve ter ouvido, chama-se Enquanto o sangue se torna ouro  e expectacularmente bem escrita, está no Albúm que só saiu em Vinil, chama-se “Viagem na Palma da mão”, e ouçam a musica lá em baixo.

Enquanto o Sangue se Torna Ouro

Momento sem igual
Os da cimeira internacional
Disseram que chegou a paz

Mas não passou de um engano
E a esperança foi morrer no cano
Do lança mísseis no canal

Eu sei que Deus criou a luz
Que Jesus Cristo morreu na cruz
Apenas para nos ajudar

Mas não consigo encontrar
Uma razão para acreditar
Na salvação de todos nós

Tenho medo!
Tenho medo!

As nossas vidas são para queimar
O que é preciso é negociar
A situação do capital

E enquanto o sangue se torna ouro
A agulha espreme o seu tesouro
Da solidão do marginal

Tenho medo!
Tenho medo!

Texto marado… porque?

•Dezembro 28, 2007 • 3 comentários

Sei que sofres, mas sorri, podes estar a ser filmada. Seguem-te pelos ares, colam-se a ti, medem-te os passos, controlam-te. Sei que choras, ouço os teus pés a chapinhar enquanto tento adormecer, bato-te à porta “Cale-se, quero dormir”, mas continuo a ouvir chapinhar. Talvez te tenhas afogado, ou estejas de novo a ouvir aquela musica errante em altos berros, não sei, só te ouço chapinhar. Dia, sol, já te secou o soalho, já sais em saltinhos até à rua, sigo-te pela janela tentando despir-te o vestido encarnado, jovial, esconde-te os joelhos enquanto o teu sorriso te desvenda a alma. Sigo-te por trás de Arbustos, transformo-me num, vejo-te beijar o teu tio, abraçares a tua avó, comprares o jornal, beberes o café, procurares as moedas para pagar, empresto-te uns trocos sem reparares nisso. No fim da tarde pego-te ao colo, levo-te a casa, tropeço em Estrelas, deito-te nas nuvens. Mentira! Não sai daqui, fiquei sempre deitado nesta cama, não sei se o teu vestido é vermelho, se o teu sorriso é bonito ou se tens dinheiro para a merda do café. Fiquei aqui, deitado com a pele das costas a tornarem-se crostas. Fiquei, inerte, a sonhar com o teu chapinhar, a tua valsa entre estrelas e um teu beijo ao acordar. Ouvi a tua musica errante, mas não te ouvi chorar, ouvi os teus passos arrastados mas nem vi o vestido, senti a tristeza no teu olhar sem sequer te ver o rosto. Mesmo que nunca me tenhas visto sempre aqui tive: 4º andar, direito. Esse é o meu mal, 4º andar direito, vivo preso por 4 andares, e logo o direito, se ao menos tivesse ficado em casa naquele sábado à tarde, podia hoje descer as escadas e chamar por ti.

Hein?!? Quem?

•Dezembro 18, 2007 • Deixe um Comentário

Quando pequeno obrigaram-me a acreditar em Deus, faziam-me querer que ele me ia ajudar para a vida, ia emprestar-me os 20 escudos para o Nesquik e desviar-me de todas as poças que me levavam da escola a casa. Mais tarde fui desacreditando nele, deixei de beber nesquik e comecei a andar mais de carro, quando precisei de passar a Ciências ele não estava e quando a Maria me disse “Não!” ele não me ajudou. Quando pedia ajuda esporadicamente ele não me deu e tive que me safar sozinho, quando pedi ajuda para Timor teve de lá ir a Onu à mesma, quando comprei o livro para Ajudar África ele não comprou e quando me manifestei contra a Guerra do Golfe não o vi por lá. Talvez Deus até exista, é Politico, vive em São Bento, bebe Champagne e conduz um Ferrari. Talvez seja dono de uma Petrolífera, beba champagne e conduza um Ferrari. Ou tem um museu, bebe champagne e conduz um Porsche. Não sei bem como ele é, só sei que não é como o pintam.

o Senhor Jack Johnson

•Dezembro 10, 2007 • 4 comentários

 Hoje largo aqui uma musica que adoro, chama-se Taylor, é do Jack Johnson e tem no videoclip Ben Stiller, um videoclip meio “louco”.

they say taylor was a good girl, never one to be late
complain, express ideas in her brain
working on the night shift, passing out the tickets,
youre gonna have to pay her if you want to park here
well mommys little dancer has quite a little secret
working on the streets now, never gonna keep it
its quite an imposition and now shes only wishing
that she would have listened to the words they said
poor taylor

she just wanders around, unaffected by
the winter winds and shell pretend that
shes somewhere else, so far and clear
about two thousand miles from here

peter patrick pitter patters on the window
but sunny silhouette wont let him in
poor old petes got nothing because hes been falling
somehow sunny knows just where hes been
he thinks that singing on sunday is gonna save his soul
now that saturday is gone
sometimes he thinks that hes on his way
but i can see that his break lights are on

he just wanders around, unaffected by
the winter winds and hell pretend that
hes somewhere else, so far and clear
about two thousand miles from here

such a tough enchilada filled up with nada
giving what she gotta give to get a dollar bill
used to be a limber chicken, times a been a ticking
nows shes finger licking to the man
with the money in his pocket flying in his rocket
only stopping by on his way to a better world

if taylor finds a better world
then taylor’s gonna run away

Quando…

•Dezembro 3, 2007 • Deixe um Comentário

Quando é que nos voltamos a encontrar? Quando é que trazes de novo esse olhar, essa dupla perfeita de diamantes, quando voltas a deixar-me sem palavras a olhar para ti enquanto procuro um caminho alternativo entre as chavenas de café só com o pretexto de te tocar. Quero voltar a engasgar-me e  a hesitar sem dizer o que sinto, quero voltar a prometer-me que é hoje que vou soltar o coração. Quando é que decides atravessar a fronteira, trazer o teu sorriso de novo a este lado, quando encontras tempo para nós, tenho saudades, tuas, de ti. Quero voltar-te a “beijar com os olhos, e pensar que tu nem sentes”…